quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Junho acabou

Era tarde de junho,pouco mais da primeira semana, tardes ensolaradas e ventiladas,mas noite de chuvas torrenciais.Recordo de sentar em um doa bancos do pátio da instituição que eu frequentara desde a ultima semana.Recostando a cabeça na parede com os olhos voltados para cima,eu observava as folhas das copas das árvores dançarem com o vento que soprava forte por volta das 16:15 p.m.O pensamento não estava preocupado,carregado,não durante aquelas tardes,havia a meu lado um inibidor de lembranças ruins. Lembro perfeitamente dos sons e rostos que me cercavam,porém não havia de prestar a atenção em tão vagas pessoas. Dediquei todo meu interesse em observar a garota sentada ao meu lado direito. Me limitei a acompanhar seus gestos enquanto ela fumava um cigarro para aliviar o tédio de longas horas de palestras sobre produtos que nós nunca chegariamos a ultilizar. Tinha cabelos e olhos escuros como a mesma escuridão que povoava meus pensamentos,tinha ainda o silêncio da minha alma desconfiada,mas a amabilidade que eu nunca tinha visto antes. Não poderia parar de observar,prendia de tal maneira que me fazia esquecer qualquer outro assunto,mas vez por outra eu fingia me interessar por assuntos aleatórios que dialogavam próximos a mim. Passava minhas tardes trancafiada numa sala escura e congelante assistindo vídeos e pessoas falarem sobre algo que eu deveria fazer,quase uma sessão de manipulação que pode ser vista nas cenas de "Laranja mecânica". Ao lado de estranhos eu só pensava numa maneira de estar sentada na ultima fila ou só olhar para trás e compartilhar aquele silêncio com a garota da expressão severa. E antes que eu percebesse o silêncio crucial havia sido rompido dando espaço a divertidas conversas que por sua vez se encarregaram de trazer o afeto nunca esperado. Era como estar no primário da escola,acordar às 08:00 a.m e implorar a hora de sair de casa. Era chegar no lugar de sua obrigação diária uma hora antes de começar para esperar uma chegada e não perder um só segundo de sua intrigante companhia. Me prendi sem amarras aquele mundo e passei a viver de 12h às 18h quanto ao resto do tempo eu me punha em piloto automático. Ah,aquelas tardes de junho me deixaram um gosto doce de viver,e um tão amargo de saudade.Saudade essa que eu tenho desconversado,deixado de lado seguindo em uma direção que eu julgo ser para frente.Se abandonar jamais aquele eu de um junho acabado. "Vou levando assim Que o acaso é amigo Do meu coração Quando fala comigo, Quando eu sei ouvir"

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Quinta(Hoje)

Uma semana se passou desde que comecei a vagar pelo mundo sem algum destino,sem lar ou uma casa para voltar. Perambulando com um cão abandonado na rua,sem endereço,sem mdo ou emprego,nada. Na companhia de uma solidão maldorrenta,senti o gosto amargo do desgosto e logo após mais um trago no cigarro pardo que se destruia a cada segundo percorrido e destruido pelo tempo. Final de tarde,o centro da cidade sentado numa calçada imunda sem sonhos ou alguma crença,uma espécie de criança adulterada. Apenas uma busca desconhecida sem uma gota de inocencia.Não era possivel voltar para onde pertencia,porém nunca escolheu este meio com tom de final. Carregando sua culpa em direção a qualquer lugar não ouvia mais ninguém fala. Encarou o cigarro embrasado diante dos olhos escuros e pintados de olheiras e deu mais um trago sentiu a fumaça queimar a garganta,respirou fundo e soltou a fumaça branca contra o vento. Não soube prosseguir ou para onde ir,apagou o cigarro pardo e apenas caminhou.

sábado, 3 de março de 2012

Você: O ar


"Ah, se você pudesse sentir
Como é não conseguir dormir
Sem ouvir a tua voz cansada
Você devia estar aqui pra ver
Aqui não para de chover
Desde que você voltou pra casa
Se o meu lar for onde houver tua respiração
Vou morar na tua voz , ao menos , até o final
dessa canção
No teu coração
Ah, será que você vai lembrar?
Onde é que você vai guardar o rascunho dessa
história?
Ou vai fazer fogueira pra queimar
E ver que não dá pra fechar
A biblioteca da memória"

- Mais uma noite morreu,posso ver o sol se erguer no horizonte,ele parece tímido por traz das nuvens carregadas de chuva.
Mais um dia se passou,estou trancada em casa tem alguns dias,uma prisão domiciliar aparente,prisão sem muros.
Todos os dias assisto a noite nascer,e morrer com o levantar dos dias. Tenho passado muitas horas reorganizando a vida sem a sua presença,nada parece como antes e ainda posso sentir o gosto amargo da sua partida silenciosa.
Ainda posso vê-lo aqui se eu fechar os olhos,posso ouvir sua voz debatendo sobre a vida. Sinto a sua falta,mais do que imeginei ser capaz de sentir.
Convivo com a sua ausência a cada final de tarde em que ando pelas ruas que costumavamos andar naquele ano intenso.
Ano em que as palavras brotaram,escreveram nossa alma e nossa história. Sinto em mim agora a longa melancolia de nossas glórias.
Os pulmões doem quando tento encontrar o ar,as articulações parecem dobradiças enferrujadas e a voz um vinil arranhado.
Não sinto o que você adimirava aqui,o amor,ele parece não viver mais em mim,e tudo parece morrer a cada instante que o tempo leva.
E desde o dia em que você se foi,eu me perdi nesse abismo de saudade formado em mim.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

E quando abro os olhos,não acredito em nada.

Não sinto nada,não penso nada as palavras parecem bombardear meus pensamentos,mas me parecem tão distantesas tenho como uma miragem,uma espécie de alucinação,tudo me parece comum demais.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Don't go


- Depois de algum tempo em ausência,seja de minha presença ou de meu espírito e por fim,minhas palavras.
Venho através desta expressar as experiências acumuladas em todo este tempo longínquo de alguns sentimentos,digo a você que eu sei o que é perder o sono todas as noites por sentir a ausência de algo o qual você sabe,nunca existiu.
Existiu apenas nas memórias que você não viveu,mas fantasia todos os dias ter vivido. Eu conheço a sua dor com cada centímetro do meu corpo e cada compasso de minha respiração. Entendo a dificuldade de abrir os olhos,jogar o corpo no mundo e encarar os dias de sol,maquiar-se,esconder-se por trás dos olhos chorosos que você sente vazios,mas na verdade estão tão cheio de uma mágoa que você desconhece a força.
Todos temos horrores e medos para lidar, mas como você poderá impedi-los se parar? Você reza por redenção, mas não acredita na absorção de seus próprios pecados, não se encara ante o espelho e não enxerga que faz de si seu carrasco particular.
Sente-se abandonado,mas não vê que isola seu espírito do mundo o qual pertence, luta para anular sua personalidade, esconde-se em novas roupas,novos cabelos e uma nova língua, mas quando ouve o silêncio vai de encontro a verdade.
Não suporta a quietude, mas agarra-se a ela como se fosse a única esperança de continuar. Fere a pele pra ferir o que há por dentro, mas não adianta, agarra-se a novos seres, mas não lhe são suficientes, um buraco se alastra uma escuridão sem fim.
Assusta-se com o que é, não encara a própria verdade e então abraça a mentira...
Sabe quem,mas não aceita o que,luta constantemente contra o que guarda no coração. Sente uma multidão de amaldiçoados puxarem seus pés, está paralisado,então eles tomam conta do que você foi um dia.
As boa lembranças estão distantes, agarrou-se por definitivo ao presente maldito, não enxerga a frente ou atrás, estancou.
Está clara a minha falta de aptidão para com as palavras,mas este que vos fala deseja que você ande, caminhe em direção a algo que realmente acredite. Não vá.

"A acusação descança
com evidência convincente
e parece que eu fui enganado.
Então agora eu estou sozinho
e espero por aquela primeira pedra
ser lançada em mim"
(Confessions-city and colour)

domingo, 13 de novembro de 2011

Agora vá...


"Todos nós temos nossos horrores e nossos demônios para lutar
Mas como eu posso ganhar quando estou paralisado?
Eles rastejam em minha cama, enrolam seus dedos em volta da minha garganta
É isso que eu recebo pelas escolhas que eu fiz?"




- Bom dia. O fracasso acaba de despertar,abre os olhos,sente o corpo doer,engasga-se com a garganta ressecada.
Não tem forças pra se mexer o ódio ainda consome seu rosto,as entranhas parecem se corroer,as mãos feridas buscam forças,mas não encontram.
A raiva em seu coração parece maior do que a dimensão de tudo ao redor. Pelo chão garrafas,roupas,papéis inacabados.
Não lembra o que cometeu,mas sabe que algo macabro sonda sua vida...Foi tomado pelo ódio e por um desejo de vingança incontrolável,disparou palavras no espelho,disparou contra si e contra tudo o que já fez.
Não suportou seus olhos regados de terror e deixou a violência se apossar de seu corpo,matou-se.
Sentiu o sangue pulsar enquanto saboreava aquele líquido ardente lhe descer pela garganta,não fez cara feia pois suas feições já estavam distorcidas,não reconheceu o próprio rosto,sentia-se aprisionado em sua própria raiva.
Passou-lhe então um curta,não suportou vê-lo até o fim,enojou-se de sua postura antes. Não conseguia retornar a luz da serenidade,as lágrimas escorreram,quentes atravessavam o rosto marcado.
Não soube lidar com tudo aquilo,não soube controlar seus instintos,os demônios o perturbavam e ele tentavam lutar contra cada um deles,foi atacado sem defesa,sentiu um golpe nas pernas,caiu sem pudor.
A chuva corria do céu,estava paralisado no chão sem condição. Deus perdoe a mim por todos os meus erros,Deus perdoe a minha alma por todo o mal causado.
Levantou-se do chão seguiu em direção ao seu maior inimigo,golpeou-o na face,não houve misericórdia,cuspiu os erros mais evidentes e mais freqüentes,lavara a alma tão carregada de dor.
Expos as feridas do corpo e da alma...Agora vá.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Tudo o que precisamos agora é de amor
Nós já passamos por bastante
Não podemos correr só porque estamos com
medo
Nós chegamos de tão longe, nós não vamos
desistir